Todos nós somos capazes de viver…

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Creio que a sabedoria popular está quase sempre certa e, isso, tem uma razão de ser: as dificuldades que sinto, já foram sentidas por outros. Quanto à frase que se ouve por aí – O Complicado não É viver, mas sim Saber Viver – esta não poderia estar mais certa.

Todos nós somos capazes de viver: o coração bate, respiramos e cumprimos a nossas necessidades básicas para mantermos esse tal coração a bater. No entanto, saber viver não é assim tão linear. Saber viver implica saber relacionarmo-nos com o outro, conseguir estar no mesmo espaço que o outro, conviver com o amor, o desamor, a alegria e a desilusão. Enfim, com todos os sentimentos que o ser humano é capaz de produzir. Isso, sim, é complicado.

Seria menos complicado se fôssemos abençoados apenas com coisas boas. Isso sim. Seria extraordinário. No entanto, e por alguma razão, a falta de solidariedade, de altruísmo, de amor próprio, mas também pelo outro, e de solidariedade torna tudo diferente desse sonho. Aliás, são muitas vezes mais fortes do que aquilo que nos faz feliz. E quando assim é, como se sabe viver? Como se sabe viver quando estamos sempre a levar “pancada”? Quando estamos, permanentemente, a ser desacreditados, a sermos espezinhados, a sermos ultrapassados, a sermos atirados para o lado como se fôssemos lixo?

Quem se sente como um plástico descartável, mais vezes do que aquelas que se poderia imaginar, como se encontra a coragem necessária para viver essa vida? Será que se tem coragem suficiente para encarar essa realidade de sermos usados e quando já não fazemos falta somos encostados?

Penso que é muito difícil conseguir saber viver assim. Estamos programados para sorrir, para sentir aquele borbulhar dentro de nós que nos impele a fazer algo de maior. No fundo, creio que estamos formatados para sermos felizes. Mas, se assim for, porque é que as pessoas só pensam o contrário? Será que não percebem que a estupidez que irradiam é prejudicial para os outros que estão à sua volta?

Custa-me aceitar que alguém me queira pisar. Tal como se faz a um inseto… Custa-me acreditar que alguém seja capaz, e se sinta bem com isso, em pôr-me um pé em cima, impregnando toda a sua força para que tenha a certeza de que me esborracha contra o chão, para depois, tendo a certeza de que morri, possam seguir o seu caminho como se nada fosse. Será que somos meros insetos? Se assim for, os insetos serão capazes de saber viver? 

Porque raio o ser humano se considera no direito de se julgar mais importante que outro. Não somos todos iguais? Não vivemos todos da mesma maneira? Não temos todos nós o coração a bater? Não respiramos da mesma maneira? Não temos todos nós de suprimir as nossas necessidades básicas? Se somos todos iguais no ato de viver, porque raio alguns se sentem superiores pela ocupação que têm, pela sua família ou condição social? Porque se sentem superiores? Não são eles iguais a um mero empregado, a um pobre ou a um sem abrigo?

O segredo em saber viver está na consciência de cada um. Na certeza de que todos somos seres humanos e que todos querem o mesmo: serem felizes. Se assim for, saber viver implica saber que ninguém é mais do que ninguém. Se assim fosse, todos seríamos capazes de chegar a essa tal felicidade, porque todos teríamos rumado para esse caminho, em conjunto, sem falsidades, sem espezinhar, sem deitar um de nós para o lixo.

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