…uma odalisca dançando no ar.

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Sentado no sofá com minha velha xícara de café e a fumaça desenhando uma odalisca dançando no ar. A cortina da janela meio aberta, meio fechada. Abrindo espaço para o fecho de luz que invadia sem permissão a sala de estar. E os pequenos, quase minúsculos átomos visíveis de poeira passando por esse fecho sincronizadamente com a brisa quase imperceptível do ambiente. É quase palpável com as mãos nuas, mas ao simples movimento a sincronia de luz, poeira e brisa leve se desmancham em um susto desordenado. E sentado no sofá com minha velha xícara, há uma mente literalmente bloqueada e criativamente estéril.

Algumas coisas são assim, ás vezes parece uma ordem aleatória acontecendo mas na realidade, uma realidade fora da curva essa ordem aleatória na verdade tem um padrão e um porque. Mas nós, na incansável ânsia de participar de tudo para querer o controle passamos a mão por cima do fecho de luz e criamos a verdadeira desordem e tudo se torna caos. Por isso eu digo: Deixa ela sofrer. Deixa ela sofrer. Deixa ela sofrer para aprender a ser particular, a ser única. Aprender a crescer. Aprender a ser.

Pessoas normais como eu e você, são charmosas. E sabe por quê? Porque, cotidianamente, temos que trabalhar pequenas particularidades para nos destacar numa sociedade cega e reservista. Nós somos nus e pelados, mesmo usando roupas. E um dia, um dia quando estiver sentado no sofá com minha velha xícara de café…

Você será fumaça, você será fecho de luz, você será os pequenos, quase minúsculos átomos visíveis de poeira.

Você será ordem no meu caos.

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