RELATO PESSOAL 232 (Complementar).

Para você Cristine…

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amada.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiadamente segura.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velha, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prática.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo mulher,
Tenha uma bom amante,
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar 

Apenas que que tenha a certeza

De que foi uma das melhores e importante

Amiga e amante de minha vida”

Igor Hunsaker. 

6 Replies to “RELATO PESSOAL 232 (Complementar).”

  1. Igor hoje você usa pseudônimos… Mas eu sempre usei… Espero que você entenda minha historia…
    “Era uma vez, uma menina que vivia no Castelo Mindus, em Jordão, um pequeno vilarejo. Rabit era uma menina tímida, filha de uma mucama que ajudava a princesa Sophia, filha da rainha Ester. O rei, Leopoldo, havia falecido há pouco e como não tinham filhos homens, Sophia era a responsável pela boa ordem no Vilarejo.
    Rabit vivia pelos cantos, espiando todos os passos de Sophia e ficava imitando-a nos trejeitos, andando nas pontas dos pés, como se estivesse de salto alto. Pegava uns trapos e amarrava-os na cintura, imitando vários saiotes, como os de Sophia. Com uns restos de pergaminho, recortou com todo o cuidado, colou pedrinhas e fez uma coroa, que colocava majestosamente em sua cabeça e desfilava pelos corredores vazios do Castelo Mindus. Não podia ser vista, pois temia represália de sua mãe.”
    Rabit cresceu, ficou linda e aprendeu a ler e a escrever. Porém, não tinha recursos para ter roupas e sapatos maravilhosos e brilhantes como os de Sophia. Continuava observando a princesa, pelos cantos, e imitava-a, toda orgulhosa. Seus cabelos ruivos e cacheados caíam majestosos sobre os ombros, descendo como cascata até à cintura, como se fossem molas se abrindo e fechando. Ainda tinha a coroa feita com pedaços de pergaminho, que guardava com todo o cuidado num lugar secreto.
    Um dia, Sophia percebendo o olhar curioso de Rabit, chamou-a até seu quarto, abriu seu armário, tirou alguns vestidos e deu-os a ela. Depois pegou um par de sapatos de salto alto, todo cravejado de pedras brilhantes e também deu-o para Rabit. Ela não aceitou, claro, mas seus olhos brilharam tanto ou mais do que aquelas pedras. Inconformada pela desfeita, chamou a mãe da moça, sua mucama, e disse que aceitasse as roupas, como presente, para Rabit. A mãe sem jeito, sempre de cabeça baixa, também disse que não podia aceitar, pois eram roupas caras e sua Rabit não tinha o costume de usar tanto luxo. Sophia juntou tudo e colocou nos braços de Rabit e disse que era presente e não podia recusar, pois era a princesa do castelo.
    Rabit e sua mãe, encantadas, saíram do quarto de Sophia, mal fecharam a porta e correram para os aposentos da mucama. Rapidamente Rabit se despiu e experimentou um a um os vestidos e colocou os sapatos brilhantes.
    Como não tinha o costume de usar saltos andou com dificuldade, mas depois de muitos treinos conseguiu desfilar elegantemente nos corredores vazios do castelo. A coroa não mais lhe cabia, o que a deixou triste, mas as roupas lhe fizeram formosa, e os sapatos lhe levavam às alturas. Imponente, linda e bem-vestida. Estava pronta para frequentar os bailes do Castelo Mindus e arrumar um pretendente. Já estava na idade de formar sua própria família.
    E foi o que aconteceu, Rabit foi ao baile, muitos olhos curiosos querendo saber quem era a moça ruiva com cachos em forma de cascata e logo foi cortejada por um príncipe de um outro vilarejo. Se encantaram um pelo outro, se casaram e Rabit foi ser a princesa do Castelo de Duane, com seu príncipe encantado.
    O Castelo de Duane não era tão formoso como o de Sophia, nem tinha corredores desertos e nem centenas de quartos ou salão de festas. Rabit não teria o luxo de ter sua mucama e nem condições de encher os aposentos com lindos vestidos e sapatos brilhantes, mas Robert, seu príncipe, era um príncipe apaixonado e tratava-a como como uma rainha. E viveram felizes para sempre.

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