Fingi que gozei pra ele acabar logo.

PACIENTE 13720.C

MEU MARIDO voltou pra casa no dia seguinte.

Não foi diferente das outras vezes. Não brigamos, mas a relação ainda estava fria. Tentei agradá-lo como pude: fiz lasanha, sua comida favorita, tentei puxar conversa, me achegar, beijá-lo, mas ele continuou mais interessado em fazer suas coisas do que em mim.

É isso o que acontece quando você passa um ano deixando seu marido de lado por falta de libido. Eu me sentia culpada, sim, porque certamente a culpa de tudo aquilo era minha, que em vez de entender que só eu tinha perdido a libido após o nascimento do nosso filho e não ele. Mas em vez disso eu brigava. Bem, agora já estava feito.

À noite, raspei os pelos das pernas e da vagina e pus uma calcinha sensual, depois fui pôr o nosso filho pra dormir e então fui pra cama. Mais cedo havia pintado as unhas. Meu corpo estava macio, quente e cheiroso para que ele me possuísse.

Resolvi usar os pés desta vez. Balancei-os no ar antes de passá-los em seu rosto. Ele os beijou, chupou meus dedos; aquilo me excitou. Comecei a me tocar enquanto ele esfregava o pênis neles. Sim, comecei a masturbá-lo com os meus pés exatamente como eu fazia antigamente. Depois ele veio por cima de mim, me beijou, arrancou o que restava da minha roupa e me penetrou. Seu membro ainda era gostoso dentro de mim. Era um membro gostoso, pelo menos pra mim que, até então, só havia visto dois e sentido dentro de mim só o dele. De fato não era o membro de um negro, nem tão bonito e nem tão grande, mas um pênis de bom tamanho, um pouco menor que o de borracha que eu havia comprado recentemente. Porém, ter um membro gostoso não bastava. Eu queria tanto que ele voltasse a ter a atitude do começo de nosso casamento ou até mesmo que fizesse qualquer coisa nova, não importava o que fosse, podia ser até loucura, sei lá, que me batesse, me pedisse pra fazer xixi, enfiasse o pênis no meu anus, qualquer coisa! Ou pelo menos me xingasse, sim, porque eu era vagabunda, tinha chupado o amigo do meu primo quando era solteira e ele não sabia, sim eu era vagabunda, mostrei meu seio pra outro, vagabunda que desejou ver o pênis de outro, não só ver, masturbar com meus pés, chupar, sentir dentro da minha vagina agora onde ele estava agora… Qualquer coisa que me tirasse dessa mesmice! Mas nem isso! Eu havia castrado meu marido de tal maneira que o nosso sexo poderia ser transmitido pela TV durante a programação infantil.

Não gozei. Fingi que gozei pra ele acabar logo. O máximo que consegui foi pedir para que gozasse nos meus pés. Ele gozou. E eu lambi meus pés gozados na frente dele. Quem sabe isso não o animasse e o fizesse acabar comigo… Mas não. Ele apenas disse que aquilo era gostoso de ver e foi se lavar. Dormi com o gosto do esperma dele na boca, imaginando…

O DIA SEGUINTE era domingo. Fomos à igreja. Vesti-me num vestido azul, que tem um recorte e deixa toda a minha perna esquerda à mostra. Calcei sandálias de salto alto fino e tiras que valorizam a forma dos meus pés. Uma tornozeleira de ouro que ele havia me dado no nosso primeiro aniversário de casamento e uma gargantilha preta no pescoço. Me maquiei e me perfumei. Não pus calcinha, pra não marcar o vestido.

Quando meu marido me viu, perguntou se eu ia para alguma festa. Sim, isso é o mais próximo que conseguiria ganhar de elogio vindo dele. Mas eu estava pouco me lixando; não havia me arrumado pra ele me elogiar mesmo.

Na igreja, fui entrando na frente, fazendo ele me seguir. Na verdade eu queria escolher um lugar onde o Pedro pudesse me ver. Quando o vi, sentei-me na primeira fileira à esquerda de onde ele estava com sua esposa e os filhos; na ponta, onde eu sabia que ele me veria.

Sua esposa não era de todo feia, mas tinha a feição um pouco abatida, um ar de cansaço e um certo peso da idade. Ele, por outro lado, era mais firme, mais másculo, mais homem. Longe da aparência inofensiva que meu marido havia adquirido nos últimos anos.

Quando passei por eles, os cumprimentei, coisa que raramente fazia, fazendo questão de olhar bem fundo nos olhos do Pedro para que ele me notasse.

A essas alturas, já não sei mais o que se passava comigo. Estava tão de saco cheio que já tinha perdido a noção do certo e do errado.

Passei o culto todo vez por outra olhando para trás disfarçadamente, para ver se ele me olhava. Outras vezes, punha a minha perna um pouco pra fora, na esperança de que ele conseguisse vê-la de onde estava. Logo vieram pensamentos proibidos à minha mente e aquela sensação toda de estar fazendo o errado no pior lugar me deixou ao mesmo tempo cheia de vergonha e molhada. Sim, molhada e sem calcinha na igreja…

Eu precisava me conter. Pedi ao meu marido que cuidasse do nosso filho e fui ao banheiro. Subi o vestido até a cintura e me agachei no assento do vaso. Tive vontade de me masturbar ali, mas isso era demais. Eu já estava passando dos limites. Eu não era assim, estava na igreja, sempre gostei de respeito. Estava perdendo a cabeça…

Por isso, apenas deixei a urina descer e fiquei imaginando ele me olhando urinar. Sempre tive vergonha de que me vissem fazendo xixi. Sempre trancava a porta do banheiro para não acontecer de meu marido entrar quando eu estivesse ali. Mas agora eu queria que o Pedro visse, porque eu não podia me tocar ali, então eu estava urinando pra ele…

ACORDEI na manhã seguinte com um tremendo peso na consciência. Meu marido já havia saído fazia tempo – ele sempre sai quando ainda está escuro, e quando eu acordo normalmente ele já foi. Na noite passada não consegui nem jantar. Pus nosso filho no berço dele, tomei um banho e fui pra cama, dizendo que estava com dor de cabeça. Mas o que pesava na cabeça era vergonha.

Remorso por ter urinado? Alguém pode estar se perguntando. Sim. Para mim isso é muito grave, ainda mais da maneira que aconteceu, no lugar que aconteceu e envolvendo os desejos que envolveram – ainda que eu não soubesse ainda se isso era de fato desejo ou curiosidade; se era vontade de enlouquecer ou apenas uma fuga do tédio e da solidão do casamento. Eu não sabia, mas era errado. Eu não sou assim, não acho isso certo. Resolvi que era melhor dar um basta nisso antes que fosse tarde demais, mas…

“Ontem você estava deslumbrante na igreja. Foi muito difícil me concentrar em outra coisa que não fosse aquela perna saindo do vestido” – recebi pelo whatsapp, pouco depois que levantei. Não respondi. Apenas visualizei e fui fazer as minhas tarefas: cuidar da casa e do meu filho para distrair.

Mais tarde, chamei o William. Eu precisava conversar. Desabafar, talvez.

– Você já se sentiu atraído por alguém que não devia? – perguntei.

– Sim. Acho que todos nós em algum momento passamos por algo assim. Por quê?

– Nada. Só estou pensando com meus botões.

– Ah sim…

– Já se sentiu atraído por uma pessoa casada? Assim, quero dizer, eu sei que isso errado, tá? Mas estou falando meio que em hipótese ou, sei lá, como se fosse real… Nossa, tô me embolando toda.

– Tudo bem, eu entendi.

– E…?

– Já sim. Em hipótese. Mas por que quer saber isso?

– E o que você fez?

– Não fiz nada. A pessoa era casada. Fiquei na minha e guardei pra mim.

– Hum. Que tipo de desejo sentiu?

– Tá querendo saber um pouco demais, não? Daqui a pouco vai querer saber até o CPF da pessoa.

– Não quero saber quem é, mas o resto sim. Eu te conto tudo.

– Senti atração, vontade de ficar junto…

– De fazer sexo também?

– Sim, né.

Bem, eu não era a única. O William era mais quadrado que eu e se até ele já havia sentido atração por alguém comprometido, eu não estava tão mal. Óbvio que eu não estava acreditando nisso, mas era bom não estar sozinha.

– E se, em hipótese, fosse o contrário: se você fosse casado? – continuei.

– Hum. Não sei… Tá se sentindo atraída por alguém?

– Claro que não. Hipótese.

– Se tiver, pode me falar, eu vou entender…

Desconversei. Isso não era da conta dele. Mas é claro que isso acabou despertando em mim alguma curiosidade sobre o William. E também um certo ciuminho, já que, no passado, eu havia sido apaixonada por ele e só não namoramos, como eu disse, porque ele morra em uma cidade e eu em outra e são mais de 200 km entre nós. Ele estava solteiro fazia um tempo, era de igreja também, talvez virgem. Será que não sentia desejo? Será que se masturbava? Será…?

Resolvi deixar por isso mesmo. Pelo menos por enquanto…

– GOSTOU MESMO? – respondi ao Pedro, naquela noite, depois que meu filho dormiu.

– E havia como não gostar? É linda, garota.

– Obrigada. Nem sempre me acho bonita. Gosto que fale assim.

– Que bom, pois elogio é o que mais tenho pra você.

– Sua esposa está aí?

– Sim.

– Ela não liga de você falar comigo essa hora?

– Ela está no quarto.

– E você não vai pra lá?

– Posso confiar em você para confidenciar algo?

– Claro. Conte.

– Nós raramente dormimos no mesmo quarto. Normalmente fico na sala vendo TV ou mexendo no celular até cair no sono e ela vai pro quarto. A gente está muito desgastado. Moramos sob o mesmo teto, mas muito raramente agimos como casal…

– Nossa… E como você faz?

– Em relação ao que?

– Não quero ser indiscreta.

– Pode perguntar o que quiser saber.

– Vocês não fazem mais sexo?

– Muito raramente. Em alguma data especial talvez e isso se nos entendermos no dia…

– Deve ser muito difícil pra você…

– Sim, confesso que às vezes é.

Senti pena dele. Aquele homem ali sozinho todas as noites e aquela mulher no quarto sem se importar. Há quanto tempo não tocava o corpo de uma mulher? E quando tocou, será que ela fez com prazer? Será que se perfumou pra ele? Fez as unhas?

– Por isso tenho gostado tanto de conversar com você. Me sinto muito só às vezes. – confessou ele.

– Eu também me sinto só e tenho gostado de conversar.

– Me deixa muito feliz por saber disso.

Eu não queria me despedir de qualquer jeito naquela noite. Então resolvi gravar um pequeno vídeo dando boa noite. Eu estava só com um baby-doll branco e rosa, que além de decotado, é meio transparente. Mas eu não me importava; queria que ele me desejasse. Mandei e ele respondeu:

– Dá até gosto de dormir com um “boa noite” como esse.

– Quando quiser, podemos conversar um pouco por vídeo, para não se sentir tão só.

– Vou adorar.

Me segurei como pude e não me toquei naquela noite. Mas não consegui evitar de ficar com a vagina toda molhada e nem de imaginar ele a limpando com a língua…

Depois disso acabamos ficando cada vez mais e mais íntimos em nossos papos. Conversamos tanto por mensagem, como vez por outra por vídeo. Eu não me expunha muito, mas acabei descobrindo mais coisas sobre a vida íntima dele, como por exemplo o fato de ele sempre ter gostado de pés, mas que sua esposa nunca ligou muito. Descobri que eles eram mais tradicionais na cama do que eu imaginava, apesar de ele deixar subentendido alguns desejos ocultos. Eu, por outro lado, não me sentia tão à vontade em contar o que já havia feito ou desejava, porque tive medo de que ele me julgasse mal e, além disso, não era da conta dele.

Adquiri também o hábito de enviar fotos minhas pra ele. A maioria, fotos que eu postaria no Instagram, pedindo opinião entre uma e outra, ou se deveria postar, etc. Sempre mandava também fotos das unhas, quando pintava, principalmente dos pés, porque sabia que ele gostava. Eventualmente, mandava algo um pouco mais sensual, mas como se fosse sem querer; como na vez que mandei a foto da minha unha com o joelho dobrado e o pé entre minhas pernas, dando pra ver ao fundo minha calcinha, ou quando tirei uma foto com uma blusinha sem sutiã e meus bicos ficaram marcados.

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