Eu me sentia muito sozinha e isso acabou deixando mais vulnerável.

PACIENTE 13720.B

NÃO APENAS a volta da libido, mas também a solidão.

A minha vida se tornou um tédio. Eu ficava em casa com o bebê o dia todo, mal via outras pessoas, meu marido vinha pra casa uma vez a cada 4 dias e mesmo assim muitas vezes a gente não ficava bem; brigávamos ou ficávamos distantes. O que me restava eram o celular e os afazeres da casa, além de cuidar do bebê.

O celular, por sua vez, acabou se tornando uma distração cada vez mais presente na minha vida. Passei a postar muitas fotos no Instagram e também me distraia um pouco conversando com amigos distantes no Facebook e no Whatsapp.

Gostava de postar fotos minhas nas redes sociais, porque sempre havia rapazes pra me elogiar e dizer que eu era bonita. Minha autoestima não ia bem, confesso, já que, por causa da nossa situação, meu marido já não me elogiava mais e eu andava me sentindo feia. Por isso, postava cada vez mais fotos; às vezes chegando até mesmo a me maquiar só para tirar uma foto e postar.

Nesse período, voltei a conversar com um amigo chamado William, que era dos tempos que eu era solteira, com o qual quase tive um romance, mas no final, acabamos optando em continuar apenas amigos, afinal ele morava longe, noutra cidade.

Foi nesse tempo também que um homem de nossa igreja começou a conversar comigo. Seu nome é Pedro e ele costumava curtir as minhas fotos no Instagram e acabou puxando conversa, inicialmente apenas me elogiando como mãe e dizendo que eu tinha uma família bonita. Não desconfiei de nada, afinal ele tinha uns 40 e poucos anos e era casado, tinha filhos, e era da igreja.

Conversava também com outras pessoas e essa era a minha maior distração no tédio dos dias e também das noites. Mas vou enfatizar apenas as conversas que tive com esses dois, que se relacionam mais diretamente com o que viria a acontecer mais tarde, em janeiro deste ano.

Com o William, eu já era mais íntima. Quando solteira ele era uma espécie de confidente meu, então sabia de quase tudo da minha vida. E nesse período não foi diferente, apenas recuperei o que tinha antes, e passei a me abrir com ele, às vezes até altas horas da madrugada quando meu marido estava fora. Minha intimidade com o William era tão grande que quando o bico de um dos meus seios inflamou na época da amamentação, foi pra ele que eu mandei uma foto perguntando se ele achava que era grave e não para o meu esposo. Eu simplesmente confiava nele, mesmo ele sendo homem e solteiro; por isso era pra ele que eu recorria quando queria contar o que se passava dentro de mim. Ele nunca me julgava, então isso me deixava confortável para me abrir. Nesse tempo acabei até mesmo contando (sem muitos detalhes é claro) aquele fato que relatei anteriormente, de quando passei dos limites com o Douglas, amigo do meu primo, e que nem meu marido sabia.

O Pedro, por outro lado, foi ficando mais próximo aos poucos. No começo ele me chamava vez por outra no direct do Instagram para elogiar alguma foto ou story, no começo só os que eu aparecia com meu filho ou com o meu marido. Mas logo começou a elogiar minhas fotos, dizendo que eu era linda e que eu tinha “rostinho de bebê com olhar de menina sapeca”. Era bom ser elogiada; meu marido quase nunca fazia isso. Logo passamos a conversar pelo whatsapp, já que não parecia haver mal algum nisso, afinal, como disse anteriormente, se tratava de um homem casado e da igreja. Ao passarmos a usar o whatsapp, as conversas se tornaram mais frequente e pouco a pouco fomos nos tornando mais próximos.

Eu me sentia muito sozinha e isso acabou deixando mais vulnerável. Muitas vezes sentia vontade de um carinho, um afago ou até mesmo queria fazer amor com meu marido, mas ele quase nunca estava. Quando ele vinha, apesar de distantes, eu sempre procurava driblar isso de alguma maneira e fingir que estava tudo bem. Mas era tudo automático demais, não havia romance, nem conquista, só um sexo sem sal, porque até isso tinha ficado ruim, já que agora ele tinha medo de ofender em tudo ou achava que eu não ia querer. Nossa relação tinha ficado tão fria, que às vezes eu ficava ansiosa para que ele fosse logo embora para que eu pudesse voltar a conversar com pessoas que eu mal conhecia nas redes sociais e no whatsapp.

Não demoraria muito para que eu também recuperasse o hábito de me masturbar, mesmo achando isso meio errado. Cheguei até mesmo a comprar um brinquedo em um sex shop – um pênis de borracha que eu guardava no fundo da minha gaveta de calcinhas e que eu tirava de lá para me ajudar quando a carência se tornava insuportável.

Adquiri também o hábito de vez por outra andar nua pela casa, na esperança de que alguém me visse por alguma fresta de janela ou muro e sentisse atração por mim. Claro que isso era viagem da minha cabeça, já que nossa casa é toda fechada e só daria para me ver com visão de raio-x.

CERTO DIA, Pedro me perguntou no whatsapp se o meu marido via as minhas conversas com ele.

– Não. Meu marido nem aqui fica e também não tem a senha do meu celular, por quê?

– Por nada. Minha esposa também não vê o que falo com você. Talvez ela não entendesse…

É claro que aí tinha coisa. Mas resolvi deixar rolar pra ver até onde ele iria. Se me faltasse com o respeito, tirava print e ainda mandava pra mulher dele. Ou não…

Parece que depois disso ele perdeu a vergonha e, de certa forma, eu também.

– Você não se sente sozinha? – perguntou ele um tempo depois?

– Às vezes sim.

– Deve ser difícil ser tão jovem e o marido ficar tanto tempo longe.

– É sim. E você? Como é estar casado há tanto tempo?

Eu sou curiosa. Queria saber como era a relação de um casal mais velho, casado há mais de 10 anos. Como seria o sexo? Eu estava casada há 4 e estamos mornos. Contudo, não tinha coragem de perguntar diretamente.

– Confesso que não é nenhum mar de rosas. Parece que com o tempo a gente esquece que é casado… – respondeu ele.

– Como assim, esquece?

– Bem, a gente fica quase tão só quanto antes…

– Entendo. Quando quiser conversar, é só me chamar. Eu tô quase sempre sozinha e entediada…

Comecei também a ficar curiosa para ver o que ele queria de mim. Ao mesmo tempo, ele era amável comigo, parecia se importar e eu tive certa empatia pela solidão dele, tão parecida com a minha.

Tenho ainda que confessar que achava excitante a ideia de ser um segredo. Não sei se ele era bem um homem que normalmente me atrairia. Não que fosse feio, tinha uma barba meio grisalha que até que tem o seu charme. Mas era quase 20 anos mais velho que eu, casado… Casado e eu casada, entendeu? Será que eu entendi bem isso? Entendi?

Alguns dias depois ele disse:

– Eu acho você muito linda.

– Eu sei. Você já disse isso muitas vezes.

– Ah, é ruim?

– Não, fala mais. Eu gosto.

– Gostei da foto das pernas que postou. Tem pés bonitos.

– Gosta?

– Sim.

– Meu marido gosta deles…

O certo era ter respondido: “gostava deles”, porque nessa época ele já nem ligava pra eles. Talvez porque eu também já não os usasse mais para seduzi-lo e depois masturbá-lo como ele gostava que eu fizesse quando nos casamos.

– Eu também gosto. Não só dos pés… – continuou ele.

– Olha, olha…

Tive que cortar. Aquilo já estava começando a me… Não! Me recuso a dizer! Me levantei, eu tinha que cuidar do bebê que acordou. Mas aquela imagem, ou melhor, imaginação, misto de lembrança dos momentos com meu marido, das massagens, da boca nos meus pés, do pênis entre eles, calor, molhado, sêmen escorrendo quente… Não, eu não podia estar imaginando o pênis de um homem casado. A não ser que fosse o do meu marido. Na verdade eu não podia imaginar o pênis de ninguém que não fosse o dele.

Terminei aquela noite me masturbando, com o pênis de borracha do sex shop entre meus pés.

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