PACIENTE 6720.A

PRIMEIRA CONSULTA

Vinte e dois de dezembro de 2019, já se passaram dezoito anos, e eu tinha apenas quinze, mas ainda consigo me lembrar de como era minha vida, quando eu era uma adolescente livre, sem dono, ainda que tenha de fazer um grande esforço de memória; pois prefiro olvidar aquele modo horrível de levar a vida. Confesso que nada se compara com os momentos de felicidade plena que vivo hoje, tendo um amo, um senhor, dono de minha alma e de meu corpo e ser escrava dele, para mim, é o melhor evento que poderia acontecer comigo. Não necessitar decidir sobre o meu destino é a coisa mais deliciosa deste meu novo mundo, ele, meu senhor, decidi tudo por mim.

Para que defendam meu ponto de vista de não ter o “livre-arbítrio”, de não ter de escolher em função da própria vontade, é o modo determinante para a mulher encontrar a sua plena felicidade; vou lhes contar a seguir a minha história.

*****

Minha família, quando pequena, que era o meu porto seguro, já não existe mais… Meu nome é Fernanda e, na época, como já disse, tinha apenas quinze anos. Meus pais se casaram muito cedo, mamãe, Celeste, com dezesseis anos e papai com vinte e quatro. Tudo corria muito bem e eu nasci no seio de um lar feliz, cheio de amor. Tudo desmoronou, quando eu estava com oito anos. Minha mãe, com vinte e três, é uma mulher fogosa e vaidosa de sua beleza e papai aos trinta e um é um cara bonitão, que vive só para nós, esposa e filha.

Diligente e muito inteligente, dono de uma loja de artigos eletrônicos em plena ascensão no mercado, já montando uma filial e com planos para uma terceira. Sendo assim era comum ficar sempre muito ocupado, mas se desculpava dizendo que estava pavimentando o meu futuro, o futuro da família.

Ainda retenho na memória o fatídico dia, 21 de novembro de 2001, uma quarta-feira. Papai tinha nos avisado que só voltaria para casa depois da meia noite, se tanto; pois ele e seus funcionários tinham de fazer a conferência de uma carga de eletrônicos vindo do exterior, para montagem da nascente filial.

Chegar em casa, tarde da noite, era comum. e eu sentia muito por isso. Papai era o meu herói e quando chegava do trabalho, me atirava nos seus braços e ele me cobria de beijos, super carinhoso. Mamãe, demonstrando interesse por seu labor, sempre usava o celular, para monitorar onde papai estava, interessada em saber quando ele se liberaria e voltaria para casa. Amor, preocupação com o bem estar dele, ciúmes? Não era nada disso.

Naquela noite ela ligou para papai e ele informou que não havia previsão de se liberar do serviço, pois as carretas com as mercadorias, ainda estavam na estrada. Ele com certeza teria de passar a noite, na loja ainda vazia.

As vinte uma horas, depois do jantar e tomar banho, mamãe me pôs na cama, no quarto ao lado do seu. Entretanto naquela noite, não sei a razão, não consegui dormir direito, acordando a toda hora, com algo perturbando minha cabecinha. Me levantei e vestindo o meu pijama com bolinhas rosas, com intensão de ir à copa beber água. Quando passei pela porta do quarto de mamãe, escutei uns sons estranhos parecendo gemidos e sussurros. Será que minha mãe está tendo pesadelos? Foi o que pensei. Ela tinha me proibido de entrar no seu quarto à noite, como costumava fazer quando era mais novinha e por esta razão, hesitei em entrar e a acordar. Sei por experiencia própria que é muito ruim ter pesadelos.

Entretanto, como os gemidos aumentaram de intensidade, muito preocupada, deixei de lado sua recomendação e lentamente abri a porta, só uma pequena fresta, onde pudesse expiar mamãe e se necessário ir acordá-la. O que vi, à luz do abajur na mesinha de cabeceira, me horrorizou e, como se petrificada não conseguia desviar os olhos da cena dantesca.

Minha mãe nua na cama, deitada de lado, com dois homens, também nus, um por trás e o outro pela frente, moviam seus corpos de encontro ao dela que gemia e consegui ouvir suas palavras entrecortadas, parece que dizendo “mais rápido…. mais rápido”.

Minha mãe queria que eles a machucassem mais! Eu com oito anos, muito inocente, assim imaginei. Ia entrar no quarto e pedir que parassem de judiar de minha mãezinha, quando escutei a porta da frente ser aberta e eu sabia que era papai. Desci a escada correndo e chorando me pendurei ao seu pescoço e em desespero, pedi:

– Papai, depressa vá ajudar mamãe! Tem dois homens lá no quarto judiando dela.

Papai me largou e subiu correndo a escada, sacando da pasta a arma que sempre levava e que tinha porte. Com minhas perninhas curtas, fui atrás dele e da porta vi tudo que estava acontecendo lá dentro.

Papai, com o revólver na mão, no meio do quarto, olhava estarrecido os dois homens encolhidos num canto da cama, ao lado de mamãe e ela com os braços estendidos, branca como cera, falava algumas frases que pouco entendi, a não ser as que mais repetia, nervosa, para papai.

– Não faça isso Fernando…. me perdoe… perdão…. foi a primeira vez.

Chorando, apavorada, vi papai erguer o braço e apontar a arma para os três nus na cama. Corri sem saber o que estava fazendo e o abracei pela cintura, implorando:

– Não papai, não papai, não papai, não mate mamãe!

Ele me olhou e vi lágrimas e raiva em seus olhos. Movimentou a arma em direção aos dois homens, um mulato e um sarará.

– Se vistam e caiam fora canalha, antes que os mate!

Mamãe, se enrolou na coberta, que estava caída ao lado da cama e pude escutar os soluços dela.

Meu pai foi até ela e de um só puxão a descobriu.

– Vadia, puta, cadela! Como se atreveu a trazer homens para a nossa cama, para o nosso lar, com a filha dormindo ao lado? Eu não queria acreditar quando alguns amigos do peito, me disseram que a viram num bordel vendendo seu corpo como uma prostituta de quinta. Por que fizeste isso criatura? Você nunca precisou de dinheiro, eu lhe dava tudo o que me pedias, tinhas todo o conforto em casa…. porque…. porque…?

Papai me pegou no colo e me levou para o meu quarto e me abraçando, ficou chorando, deitado ao meu lado e eu sem conseguir parar de soluçar, o abracei e muito tempo depois, consegui dormir, um sono cheio de pesadelos, vendo mamãe agarrada aos homens gemendo de prazer. Acordei tarde no dia seguinte e não vi papai ao meu lado. Com o coração querendo sair pela boca, o encontrei no sofá da sala, deitado, vestido apenas com uma cueca. Ele estava com os olhos vermelhos de tanto chorar. Penalizada me deitei ao seu lado e o abracei, também com lágrimas nos olhos.

Minutos depois, baixinho sussurrei junto a sua orelha:

– Papai… e mamãe?

Ele sacudiu a cabeça demonstrando enorme tristeza ou desgosto, não sei bem e falou, que cedo a viu sair, levando duas malas. Então eu soube, mamãe tinha me abandonado. Quatro dias depois papai trancou a nossa casa e fomos morar num apartamento perto da sua loja. Para cuidar de mim, ele contratou os serviços de uma senhora, pois eu só tinha oito anos. Ele me parecia muito abalado e eu mesmo com a minha pouca idade, procurava o animar, e passei a dormir no seu quarto, bem agarradinha a ele. Percebia que meu amor por papai se tornava cada vez mais forte.

Mas eu mesma não me sentia bem, não conseguia tirar da cabeça a cena de mamãe nua na cama ao lado de dois homens e tinha pesadelos com isso, acordando com papai me chamando. Não tinha ânimo para nada, nem para ir à escola.

Papai me levou a um médico, que receitou alguns remédios e disse que teria de o visitar uma vez por semana. Dona Esmeralda me ministrava os remédios como recomendado e alguns dias depois, por insistência do médico, Dona Esmeralda passou a me levar para a escola. Tinha ficado ausente dos bancos escolares por quase um mês e fui recepcionada com curiosidade pelos colegas e até por meus professores.

Mas eu não conseguia me concentrar nos estudos e quando questionada a respeito de uma matéria, simplesmente ficava olhando para o mestre, sem abrir a boca. No terceiro dia, a professora Luiza, que sempre demonstrou muito carinho, me viu olhando fixo para…. para nada. Ela veio até minha carteira me olhou bem de perto e perguntou o que eu tinha, se estava passando mal.

Tempos depois, me contaram que eu sem mesmo a olhar, tombei sobre seus braços, parecendo uma boneca de pano. A partir daí não tive mais noção de nada. Passei mais de dois anos internada numa clínica particular para doentes com transtornos mentais, sob severo tratamento. Minha jovem mente, sucumbiu ao desmantelamento de minha família que tanto amava. Neste tempo todo, só via na minha cabeça, mamãe fazendo sexo com dois homens e eu vendo tudo e gritando de horror.

Pouco a pouco, eles conseguiram fazer com que aceitasse tudo aquilo e fui melhorando. Todos os dias, papai vinha e ficava muito tempo ao meu lado, conversando comigo e me fazendo carinhos e com isso, meses depois recebi alta e fui para casa, agora com onze anos. Voltei a estudar com três anos de atraso, e minha professora Luiza ainda lecionava lá e me ajudou muito nos estudos, verdade que nunca mais alcancei meus colegas.

Eu agora estava com quinze anos, era muito mais bonita que mamãe quando jovem. Meus seios eram motivos de meu orgulho, assim como minha bunda, pois quando transitava com roupinhas bem justas e saías acima do joelho, todos me comiam com os olhos e alguns até dirigiam gracejos sujos e até recebi alguns convites para “foder”. Eu me sentia muito fogosa e acho que neste quesito, puxei a minha mãe. Adorava provocar a rapaziada. Passei então a sair mais de casa ao lado de minhas amigas.

Certa semana, estava com Zenaide, uma garota da mesma idade, perambulando pelos corredores de um shopping, cada qual mais produzida, exibindo nossos corpos com roupinhas provocantes, quando fomos abordadas por um senhor, de meia idade, bem vestido, que nos parou, como se fossemos velhos conhecidos e sem nenhum preâmbulo foi logo falando com Zenaide;

– Eu lhe dou cinco mil, para chupar a tua buceta, lindinha.

Ela riu para o homem e o olhando com olhar de zombaria, retrucou:

– Por doze mil, podes chupar a mim e a minha amiga aqui. Nossas bucetas são virgens e só temos quinze anos.

Ele nos olhou parecendo maravilhado com o papo de Zenaide, e com olhos gulosos, retrucou:

– Minha nossa, quinze aninhos e virgens! Pago mais, dez mil para cada uma.

Ele pegou a mão de Zenaide e pediu que nós o seguíssemos, dizendo que tinha ali perto um belo apartamento para onde nos levaria.

– Apartamento ou motel, nada disso, cara. Será no seu carro, que sabemos deve estar no estacionamento.

Olhei para minha amiga, intrigada com o que ela estava propondo ao homem.

– Tu tá louca, mulher? Ele é um desconhecido e eu não vou fazer isso de maneira nenhuma.

Zenaide me puxou de lado e falou no meu ouvido:

– Não seja boba Fernanda! No carro dele, lá no estacionamento, ele não pode fazer nada a não ser nos chupar. Se quiser avançar o sinal, somos duas e botamos a boca no mundo. São dez mil para cada, é muito dinheiro!

– Não necessito de dinheiro, papai já me dá o bastante.

– Mas eu necessito, amiga. Ando numa secura enorme, sem tostão para nada. Se não fosse você me bancar eu nem poderia pagar um simples lanche. Seja minha amiga Fernanda, vamos lá!

– Eu vou, mas não vou deixá-lo me chupar, fico só vendo você se abrir para o velho e cuido para que ele não abuse e faça mais do que o combinado. Serão só dez mil, melhor que nada, amiga safada.

Na realidade, mais uma vez, estava tão excitada e molhada que até sentia a calcinha úmida com os meus fluídos, mas o medo do que estava por acontecer me travou. Nunca pensei que minha amiga fosse agir desta forma, a safadinha por dinheiro aceitou que um homem a chupasse… que coisa mais nojenta. O homem devia ser bem mais velho que meu pai.

Zenaide me abraçou e me deu um beijo de boca, e agradeceu. Se virou e disse ao homem, que iriamos até seu carro, mas que só ela seria chupada. Ele aceitou e assim fomos para o estacionamento.

O carro do velhote era uma coisa de louco, novinho em folha. Estava estacionado num recanto bem longe da saída e gostei disso. Ele abriu a porta de trás e pediu que embarcássemos. Nos surpreendeu, pois, entrou pela dianteira e quando Zenaide ia o questionar a respeito, vimos alarmadas um vidro ir subindo separando os dois ambientes . Fiquei com tanto medo que gritei para Zenaide: “Rápido vamos sair”. Segurei o trinco da porta do meu lado e ela fez o mesmo do outro. As portas não abriram, estavam trancadas eletronicamente. Sentimos uma espécie de gás saindo de algum lugar e histericamente começamos a socar as janelas e a cortina de vidro. Mas lentamente fomos amolecendo e mergulhamos na escuridão.

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